Depois
de uma noite sem dormir no percurso de Bangkok a Sokhothai, senti-me com sorte
por poder fazer uma viagem noturna até Chiang Mai em um autocarro com direito a
um lugar sentada. A viagem durou cerca de seis horas. Chegamos à cidade pelas
oito e meia da manhã do dia 31 de dezembro. Juntámo-nos a um grupo de turistas
que tentavam negociar um preço razoável para que nos transportassem até ao
centro da cidade. Conseguimos que o transporte ficasse por 30 bahts (menos de 1€).
A
partir dali foi fácil encontrar o hostel que tínhamos reservado por 150 bahts
(cerca de 4€). Saiba-se que ficámos tão maravilhados com a relação
qualidade/preço que mal chegamos, pedimos para prolongar a estadia por mais uma
noite. Instalamo-nos e fomos explorar a cidade, outrora capital da Tailândia,
atualmente, uma das mais importantes cidades do país.
Entre
as muralhas que ainda se mantêm de pé, existem vários templos admiráveis, mas
também muito comércio de restauração com tendências ocidentais. Fomo-nos
perdendo pelas ruas. Há por ali vários mercados e comida de rua. Os costumes
são bastantes semelhantes, já o sotaque é algo diferente daquele que se ouve na
capital.
Ao
final da tarde voltámos ao hostel. Preparávamo-nos para o último jantar de 2015.
Quando saímos do quarto deparámo-nos com um ambiente de festa, com direito a
karaoke, que reunia tailandeses e estrageiros. Juntámo-nos à volta da piscina e
de imediato fomos presenteados com um peixe e carne grelhados e salada para
acompanhar; para beber disseram-nos que havia uma geladeira com cervejas e
sumos, e que nos podíamos servir de lá. Cantamos e rimos muito; enquanto isso,
assistíamos a um autêntico espetáculo de luzes no céu, lançadas para receber o
novo ano.
Cerca
das onze da noite fomos para o interior das muralhas da cidade, a partir de
onde estavam a ser lançadas as ditas luzes. Pelo caminho, deparámo-nos com uma
cerimónia budista. Nunca tinha visto uma. Aproximamo-nos. De imediato
trouxeram-nos cadeiras, água e convidaram-nos a ficar. Embora não tenha conseguido
perceber nada do que ali estava a ser dito, foi interessante sentir a calorosa
receção, bem como compreender a dinâmica da celebração.
Seguimos
caminho. Compramos as nossas lanternas e lançamo-las ao ar. Eram apenas três
entre milhares que invadiam o céu de Chiang Mai naquela noite. A sensação foi
ótima e o meu paladar agradeceu o facto de me ter livrado das doze uvas passas
que a minha mãe faz questão de contar minuciosamente, para eu comer aquando das
doze badaladas.
Viajar
também é desgastante, por isso voltámos cedo para o hostel. Pelo caminho brindaram-nos
com vários sawadee pee mai (em português, feliz ano novo). Assim foi passar as últimas
horas de 2015 e os primeiros instantes de 2016 do outro lado do mundo. Para
começar a manhã do primeiro dia do ano houve banho na piscina e massagem
tailandesa, em jeito de preparação para os dias que se avizinhavam pelas
gélidas montanhas do norte.
Com
tão bons encontros acho que a Tailândia já tem um lugar especial o meu coração.
Sinto-me um verdadeiro Joaquin
Phoenix, em Her: "Sometimes I think I have felt everything I'm ever gonna felt. And from here on out, I'm not gonna feel anything new. Just lesser versions of what I've already felt".
Sawadee
pee mai a todos!
| Being part of thai |
| Hostel Teeraya, Chiang Mai |
Chiang Mai, 1 de janeiro de 2016