Cheguei a Bangkok há três
semanas. Sentia-me receosa, mas confiante de que estava a fazer exatamente
aquilo que a minha vontade pedia. Vim sem planos e sem conhecer ninguém. Comigo
trouxe umas peças de roupa, a câmara fotográfica e uma vontade imensa de conhecer
mundo.
Vim sozinha, mas até então, em
momento algum, me senti como tal. Os voluntários e todas as pessoas que se
foram cruzando comigo por aqui, fizeram-me sentir em casa. Senti paz. Senti
liberdade cada vez que peguei na bicicleta para pedalar sem rumo, entre o
trânsito caótico desta cidade - perguntei-me, inclusivamente, há quanto tempo
não andava de bicicleta em Portugal e não me soube responder. Senti amor cada
vez que entrei na sala de aula e tinha os pequenos a correr em direção a mim
para me abraçarem, enquanto gritavam “teacher, teacher…”. Ensinei-lhes em
inglês as cores, os números até dez, os animais, os meios de transporte, a
comida, o hi five e o hi ten… Mas a verdade é que a grande lição ficou do meu lado e eu não me podia sentir mais grata por isso.
Embora estas últimas semanas
tenham passado à velocidade da luz, estou com a sensação de que já cheguei há
imenso tempo. Acho que isto se explica pelo facto de ter vivido dias muito
intensos onde observei, conheci e absorvi tudo o que me foi permitido.
Há cerca de uma semana recebi uma proposta de uma instituição para ir para
o Vietname dar aulas de inglês, também em regime de voluntariado. Decidi
aceitar. Vou trabalhar com crianças, tal como tenho feito na Tailândia.
Por isso, hoje foi dia de dizer até já a Bangkok. Faço-o com muita nostalgia,
por saber tudo o que vivi nesta cidade foi genuinamente bom e me encheu a mente
de paz. Na aula
desta manhã levei rebuçados para as crianças e prometi voltar. Assim será. Regresso à Thong Tos Foundation em
Fevereiro, para dar e receber muito amor antes do regresso a Portugal.
Antes de chegar ao Vietname, aguardam-me alguns quilómetros de
viagem divididos entre autocarros, comboios e tuk tuks, com algumas paragens
pelo meio. Deixo-vos com uma reflexão com a qual me deparei no meio viajário e
que tem enchido de sentido os meus dias pela Ásia.

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