segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Sentir-me em casa a 10562km de distância

A Miss Dang chegou cá a casa cerca das dez da manhã, trouxe ingredientes e alguns ajudantes que já fazem parte da família. Um deles é o responsável pela limpeza do nosso andar e costuma dormir num dos quartos da fundação. Só sabe dizer "hello" e "how are you?", mas transparece uma alegria contagiante tão tailandesa, que é impossível ficar indiferente.
Ainda dormíamos quando chegaram. Acordamos com as suas vozes entusiasmadas e prontificamo-nos a por as mãos na massa - literalmente. Profissionalismo não nos faltou. A Miss Dang trouxe chapéus cor-de-laranja para todos e fez questão que usássemos enquanto amassávamos a massa para as panquecas. 
Era preciso fazer uma quantidade grande de massa para um evento que iria acontecer durante a tarde. Algo organizado pelos locais, onde a Miss Dang se faria representar, a si, à sua comunidade muçulmana e à escola que dirige. Explicou-nos que o evento iria reunir budistas e muçulmanos. Agradou-me desde logo saber que estas pessoas conseguem conviver em conformidade, independentemente das crenças religiosas que seguem.
Durante o processo houve tempo para ensinar a Miss Dang a contar até dez em português. Disse-me que em chinês era mais simples para ela, talvez porque a fonética tem mais semelhanças. Mas olhem que se saiu muito bem.        
O evento estava marcado as três da tarde. Dissemos que iriamos estar presentes, por isso, a Miss Dang presenteou-nos com umas t-shirts cor-de-laranja para usarmos. 
A festa teve lugar num templo aqui nas redondezas. Havia música, danças protagonizadas pelos mais pequenos, peças artesanais feitas por mãos locais, jogos para pequenos e graúdos, comida e muita alegria.
Logo no início repescaram-me para dar uma ajuda com as panquecas. Era preciso recheá-las com chocolate, leite condensado e açúcar; e, por fim, oferecer a quem quisesse. Encheram-nos de amor e carinho. Houve pessoas que sem nos conhecerem de lugar algum nos ofereciam comida e bebida.
Nunca tinha imaginado começar um domingo a fazer massa de panquecas para alimentar centenas de tailandeses. A probabilidade de me surpreender aqui, a cada dia que passa, é enorme. É também por isso que estar aqui tem feito sentido todos os dias, faz-me sentir em casa e feliz, muito feliz. Acho que encontrei o meu lugar no mundo. 

Aline, eu e Miss Dang.

Eu e Aline a amassar a massa para o pão.

Eu e o thai a amassar a massa para o pão.

Voluntários e crianças muçulmanas.

Sim a dar uma ajuda com as panquecas.

Eu a ajudar com as panquecas.

Júlia a dar uma ajuda na degustação.

Ambiente da festa.

Bangkok, 20 de dezembro de 2015.


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