sábado, 12 de dezembro de 2015

Bang Krachao: a paz em Bangkok

Acordamos cedo, apanhamos um tuk tuk e o BTS - uma espécie de metro de superfície que faz a travessia para o outro lado do rio. Quando chegamos percebemos que nos tínhamos esquecido do mapa da cidade. Tentamos pedir informações, mas é sempre difícil, uma vez que poucas pessoas falam inglês e também porque a forma como pronunciamos as palavras tailandesas, nem sempre é entendida pelos nativos. 
Fomos a um centro comercial, onde há um hotspot para turistas - só é necessário apresentar o passaporte e é atribuída uma password -, a partir daqui extraímos um mapa para tentar chegar a Bang Krachao. Bang Krachao é uma ilha cuja passagem é possível a partir de ferry ou por uma ponte. 
Ainda havia alguns quilómetros para caminhar. Fomo-nos perdendo pelos mercados que íamos encontrando e almoçamos num deles um prato típico - algo very spicy, claro está. É fascinante como este lado da cidade tem características bastante ocidentais. Existem muitos contrastes entre o thai que quer ser ocidental e o thai profundo, que prefere os mercados de rua aos centros comerciais que invadem esta parte da cidade. 
Já perto do destino final acabamos por nos perder, não estava fácil de encontrar. Deparamo-nos com um templo, onde entramos para explorar e voltar a ver o mapa. Estavam algumas pessoas no templo, entre elas crianças, a orar por um defunto que lá estava. 
A nossa presença foi notada. Não tardou a que nos presenciassem com inúmeros sorrisos e uma bandeja com quatro copos de água. É possível ficar indiferente a estes bons corações? Agradecemos com uma das poucas palavras que sabemos dizer em tailandês e bebemos aquela água, que nos deixou mais refrescados para continuar a caminhada. 
Antes de chegarmos a Bang Krachao, passamos numa central de correios onde entramos para pedir informações sobre a forma mais fácil de lá chegar. Entre o tailandês e o inglês lá nos conseguiram explicar. Já não havia que enganar. 
Chegamos ao porto, por fim. Fizemos a travessia de ferry. Foram cinco minutos maravilhosos na companhia de um condutor incrivelmente simpático, aliado a uma vista fenomenal para a ilha e para a cidade.  
Já em Bang Krachao alugamos bicicletas e fomos explorar a ilha. Tínhamos acabado de encontrar a paz, na frenética Bangkok. Lá é tudo mais calmo. Há habitantes na ilha; há carros e motas, que circulam seguindo à risca o desorganizado thai style, mas em pouca quantidade. Conhecemos o Iang que nos mostrou uma construção que estão a fazer e, antes de irmos embora, quis assinalar a nossa amizade com uma selfie e um pedido de amizade no facebook: "I'd like to see you again in Brazil or Portugal", disse com um sorriso contagiante. 
Seguimos a nossa nossa rota sem destino e, curiosamente, viemos dar novamente à casa do Iang. Aproveitamos para lhe pedir que nos enchesse as garrafas de água, mas ao invés disso trouxe-nos uma embalagem de garrafas para que levássemos água suficiente para o resto do trajeto. 
O dia terminou. Dei por mim a pensar no tempo que havia passado desde a última vez que andei de bicicleta em Portugal. Senti-me muito feliz em Bang Krachao. Senti amor e liberdade. 
Antes de vir para a Tailândia disse que, apesar da falta de humanismo ter vindo a ganhar cada vez mais expressão, ainda acreditava que as pessoas fossem o melhor do mundo. Isso tem feito sentido desde que cá cheguei. Estou fascinada com a forma como recebem, sorriem e cumprimentam cada vez que passamos na rua. Estou certa de que se assim não fosse, este lugar perdia grande parte do seu brilho.
Uma amiga perguntou-me se eu agora já percebia o porquê de ela sentir tanto a falta da Ásia na vida dela, depois de ter cá passado uma temporada. Agora sim, entendo. E desejo que um dia todos o possam entender da mesma forma. 

Copo de água oferecido no templo

Motorista do ferry

Templo em construção

Casa flutuante em Bang Krachao

Ponte flutuante em Bang Krachao



     Bang Krachao, 11 de dezembro de 2015.

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