Quando cheguei a Bangkok avisaram-me que só iria começar a dar aulas na semana seguinte. Uma vez que havia sido o aniversário do rei, a semana estava em standby. Aproveitei os dias livres para explorar e, sobretudo, para perceber as pessoas, as rotinas e esta cultura que me tem surpreendido todos os dias.
No domingo, encontrei o Mr. Nop no pátio da escola - o marido da Miss Dang, a diretora da escola. Perguntou-me se já sabia onde ia dar aulas no dia seguinte. Respondi-lhe que não.
É algo difícil compreendê-lo, porque ele fala pouco inglês, diz algumas palavras, mas não constrói frases exatas. Porém, é muito esforçado e digo-vos, é a pessoa mais querida a falar inglês que eu já vi. Ele é o típico tailandês baixinho, ri muito e é bastante expressivo.
Perguntei-lhe se era possível falar com a Miss Dang uma vez que ela é mais percetível. Ligou-lhe de imediato e passou-me o telemóvel para falar com ela. Fiquei a saber que na segunda e na terça iria ficar com os "babies" dos dois aos quatro anos - como referiu o Nop, apontando insistentemente para as fotografias deles que estão na porta da sala de aula.
A aula estava marcada para as dez da manhã. Acordei cedo e desci com meia hora de antecedência. Fiquei a espreitar da janela da sala e não tardou para que ficassem histéricos assim que me viram.
Quando saíram da sala para lanchar, aproximei-me deles e já não me largaram mais. Abraçavam-me muito, riam ainda mais. Não demorei a sentir que aquelas crianças de pés descalços têm tudo o que interessa: amor, muito amor.
Entraram na sala em fila indiana. A professora deles, que por sua vez também não fala inglês, ficou a assistir à aula e ia tentando manter a ordem. Foi a Roshni quem manteve a comunicação entre mim e a professora. A Roshni é uma menina indiana, de onze anos, super inteligente, fala muito bem inglês e vem para a fundação dar uma ajuda nos momentos em que não tem aulas.
A turma dos "babies" conta com certa de quarenta e cinco crianças. É difícil mantê-los atentos, por serem demasiado pequenos. Tentei ser o mais dinâmica possível. Através de imagens fui-lhes ensinando os números, as cores, os animais, as frutas e... ensinei-lhes o hi five e o hi ten. Deliraram. Fizeram uma espécie de Thai moche em cima de mim enquanto disputavam pelo meu hi five.
São demasiado ternurentos para serem de verdade. Tocam-me imenso, como se eu fosse um ser estranho, mas que os deixa muito felizes. Já me tinham dito que eles eram algo de outro mundo, poder sentir isso foi das melhores coisas que me aconteceu. Não falamos a mesma língua, mas estou certa de que nenhuma palavra pode substituir o carinho, o amor e os abraços que trocamos e que me têm preenchido o coração.
| Durante o lanche da manhã, antes da primeira aula. |
| Oferta dos materiais que trouxe de Portugal. |
| Foto de família. |
| A Roshni, de 11 anos. |
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